Festival de Cannes – De 16 a 27 Maio de 2012

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Festival de Cannes – De 16 a 27 Maio de 2012

Ruído do Mar e Golfo Popular

Ruído do Mar e Golfo Popular
Ruído do Mar e Golfo Popular

Os filmes Ruído do Mar e Golfo Popular, de Ana Fernandes, foram exibidos no cinema da Praia, no dia 04 de Maio, na presença da cineasta e do produtor. Muito aplaudidos no final, mesmo com as espectativas altas, ambos os filmes impressionaram bastante.

Ruído do Mar é simplesmente surpreendente, tocante e muito emocionante. Recheado de arrojados detalhes e de magistrais desempenhos dos actores, com destaque para a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, denota-se sobretudo uma subtileza genial. Diria que todos os elementos se encaixam de forma brilhante na narrativa. Com o título inglês de “Roar of the Sea“, o filme retrata a história de um jovem africano que se encontra ilegalmente na Europa. Na prisão ele rejeita comer, falar e renuncia declarar a sua identidade. O guarda que o observa, descobre uma fotografia de uma menina escondida no amuleto do seu colar. Embora sejam de realidades diferentes, entre os dois homens há algo em comum. O guarda, então, resolve ajudar esse prisioneiro, correndo o risco de perder o seu trabalho. Mas ele não tem muito tempo, pois já não se pode parar a máquina da deportação.

Quanto ao filme Golfo Popular, trata-se de um documentário sublime sobre a ilha de S. Vicente, as suas gentes e suas memórias. Nele conta-se a história dos primeiros jogadores de golfe africanos – os “Lordes” –  e a sua luta durante a época colonial pelo direito dos africanos praticarem golfe. Graças ao triunfo dos “Lordes”, o golfe, que só era praticado pelos portugueses e pelos ingleses, tornou-se num desporto popular em Cabo Verde. O filme é também uma homenagem a Antero de Barros, Professor e primeiro presidente do Comité Olímpico Cabo-verdiano e à cantora Cesária Évora, falecidos em 2011.

Ruído do Mar e Golfo Popular

Conversa com a cineasta Ana Fernandes

Cineasta cabo-verdiana Ana Fernandes

A vida é demasiada curta para a desperdiçarmos com coisas que não nos interessam”. Foram palavras proferidas pela cineasta cabo-verdiana, residente na Alemanha, Ana Fernandes no encontro com os alunos do curso de Comunicação e Multimédia, sexta-feira, dia 04 de Maio, no Campus do Palmarejo da Uni-CV. Há alguns meses, quando publiquei neste blog que “Ruido do Mar” estava entre os 10 melhores filmes de curta-metragem seleccionados para o Óscar de 2012, não imaginava que ela poderia vir à universidade para conversar com os alunos. Num encontro informal, muito íntimo, tivemos a oportunidade de descobrir a cineasta, que se fez acompanhar por Januário Nascimento e Marcelino Fortes (ADAD) e Júlio Silvão Tavares (Associação do Cinema e Audiovisual).

Conversa com a cineasta Ana Fernandes

Pina. Dance, dance, otherwise we are lost.

PINA – Dance, dance, otherwise we are lost – International Trailer from neueroadmovies on Vimeo.

Na tua fragilidade está a tua força“. Estas palavras de Pina Bausch captam de certa forma a essência de toda a sua obra.  O filme Pina (2010), de Wim Winders eterniza os seus gestos. No caos de indústrias, trânsito, ruas, edifícios Wim Winders consegue captar a intensidade dos gestos e mostra o impacto que a dança coreografada por Pina tem na percepção. Ao terminarmos de ver o filme, sentimos inundados pela intensidade dos gestos,e perplexos questionamos se não terá sido ainda da presença física de Pina.

Pina. Dance, dance, otherwise we are lost.

A gênese do mal no filme Laço branco

Laço branco (2009) Neste magistral registo do austríaco Michael Haneke, um dos mais importantes cineastas da actualidade, a perplexidade e a inquietação percorrem toda a narrativa. A história passa-se numa pequena aldeia da Alemanha, entre 1913 e 1914, onde começam a ocorrer estranhos e violentos incidentes.
À partida, Laço branco poderia ser interpretado apenas como  uma busca das raízes culturais da geração nazi.  No entanto, o realizador contrapõe esta ideia, numa entrevista ao “The New Yorker” ao dizer: “É importante para mim que o filme não seja visto, mesmo na América, como sendo um problema alemão, ou sobre a época do nazismo. Isso é um exemplo, mas é mais do que isso. É um filme sobre as raízes do mal […] Há sempre alguém numa situação desgraçada, que aproveita a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, para emergir da sua miséria e rectificar a sua vida. Em nome de uma ideia bonita,  podes te tornar num assassino.”
Vencedor do Palma d’Ouro  no Festival de Cannes, trata-se indubitavelmente de uma obra-prima do cinema europeu.

A gênese do mal no filme Laço branco

Filme caboverdiano entre os 10 melhores filmes para o Oscar

A curta metragem « O  Ruído do Mar», da cineasta caboverdiana, Ana Fernandes encontra-se entre os 10 melhores filmes para o Óscar . Passou à  segunda fase no processo de selecção dos nomeados pela Academia.  No dia 24 de Janeiro irão ser divulgados 3 dos 10 filmes nomeados, que participarão na entrega do Óscar, no dia 26 de Fevereiro.

Sobre o filme:

O RUIDO DO MAR
Cabo Verde, 2010, Ficção, 26′, 35mm
Realização: Ana R. Fernandes, Torsten Truscheit
Produção: Marcus Machura, Thomas Reisser
Sinópse: Um jovem africano se encontra ilegalmente na Europa. Na prisão ele rejeita comer, falar e renuncia declarar a sua identidade. O guarda que o observa, descobre uma miuda escondida no amuleto do seu colar. O guarda pressente que algo de anormal se passa e que não se trata de um prisioneiro comum. Nesta triste atmosfera da prisão desenvolve pouco a pouco uma amizade entre o prisioneiro e o seu guarda. O Jovem africano conta-lhe da sua odisseia a Europa e do motivo que o levou a fazer essa viagem ilegalmente. Embora a realidade desses dois homens se difere totalmente um do outro, existe um ponto comum, algo  que os liga: a perda de uma pessoa amada. O guarda resolve ajudar esse prisioneiro, correndo o risco de perder o seu trabalho. Mas ele não tem muito tempo, pois já não se pode parar a maquinaria da deportação.

Filme caboverdiano entre os 10 melhores filmes para o Oscar